segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Para Reginete Bispo

AO ENCONTRO DA CANÇÃO !
                                              
Há um provérbio que diz: "quem quer cantar sempre encontra uma canção”. Pois bem: queremos cantar e fomos à busca da nossa canção.
Nossa canção teve uma partitura escrita por várias autoras e autores.
Nossa canção surgiu do saber fazer, fazendo.
Nossa canção surgiu do respeito à ancestralidade, do combate ao racismo, ao machismo e a todas as intolerâncias.
Nossa canção surgiu da luta e da solidariedade, da vida, da alegria, do prazer, do compartilhamento.
Nossa canção surgiu sob à inspiração do interesse coletivo imbuído do espírito da reparação de séculos de opressão.
Nossa canção falou das liberdades e evocou a recomposição civilizatória da sociedade brasileira e da própria humanidade.
Nossa canção surgiu nos umbrais da fidelidade ao projeto político que ajudamos a construir mas que ainda não possibilita nos enxergarmos além do espaço por traz das cortinas do palco.
Nossa canção surgiu da voz de quem acredita na recuperação do processo civilizatório de um povo que se rearticula na diáspora e mantém seus valores e princípios preservados.
Nossa canção surgiu da voz de quem vivencia o real das condições de existência de mulheres, homens, jovens e crianças, negros, brancos, índios em busca da igualdade e do equilíbrio entre o que se foi o que se é e o que se deve ser.
Nossa canção surgiu na voz, de uma mulher cuja história nos revelou nossa própria história repleta de racionalidades e afetividades construídas e desconstruídas no processo, profano-sagrado, vivido - revivido na dança e no ritmo da coletividade.
Nossa canção se expressou em 5997 votos que embora não tenha feito eco para que pudéssemos cantá-la no parlamento gaúcho, fortaleceu nossa convicção no combate ao racismo e ao machismo.
Encontramos, sim, nossa canção. Cantamos e continuaremos cantando a canção do Coletivo Reginete Bispo anunciando nosso protagonismo prazeroso na ressignificação da formação política, enquanto ferramenta difusora da solidariedade, da cooperação e da afirmação dos valores da matriz civilizatória africana.
Out, 2014

Iya Sandrali d´ Osún,( Sandrali de Campos Bueno).

2 comentários:

  1. Juntas fazemos história. Nosso compromisso é com história de lutas do nosso povo. Obrigada pelo carinho Sandrali e tod@s amig@ss que compõem nosso coletivo. Abraço

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