segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Culto aos ancestrais

Meu BABA!

São três meses sem tua  presença física ,
mas, cada vez mais presente, estão teu poder e tua vontade...
E  hoje tive a prova do quanto tu zelas por mim
e por todos teus descendentes.
És nosso chefe e tua vontade será sempre decisiva.

Hoje, o teu povo estará cumprindo mais uma cerimônia de invocação
através de cântigos, danças e oferendas
em prol da tua ancestralidade
e da manutenção da harmonia da natureza.
Serás honrado !
Assim como nós continuamos
precisando de ti,
tu tambem precisas de nós
para encontrares a felicidade
de seres honrado por aqueles que fazem parte
da tua familia religiosa e/ou consanguinia.

Tua filha Iyá Sandrali d' Osun

Gbogbo àse.
(Força e energia para todos)








segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Texto base da minha participação no Seminário “Democracia, Paz, Religião: Respeite.” IV Marcha Estadual Contra a Intolerância Religiosa. Porto Alegre, 20/01/2012   

            A sociedade e o Estado brasileiro têm uma dívida histórica, para com o Povo de Terreiro, em relação às ações e estratégias que, por mais de quinhentos anos, estão circunscritas no ideário de aculturamento que, de forma contraditória e violenta, destituiu e desconstruiu a ordem e a organização da cosmovisão de um povo cuja dinâmica civilizatória transcende a lógica da subjetividade individual.
          A participação do Brasil no processo da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada em Durban, em 2001, criou aspectos favoráveis para que o Estado e a sociedade atuassem de forma mais incisiva e eficaz na superação dos componentes e das desvantagens sociais produzidas pelo racismo.
          O Estado tem um papel na promoção da igualdade racial que precisa se consubstanciar, não só através do investimento das novas articulações das políticas econômica, social e ambiental. O Estado precisa pensar a mudança como compromisso ético, moral e reparatório, civilizatoriamente falando, ressarcindo aquilo do qual a África foi pilhada, como diz Boaventura Souza Santos: “não só material, mas também epistemológica”, como bem cita o teólogo Jayro Pereira. Há que mudar a lógica de uma sociedade individualista para uma lógica onde as singularidades se inter-relacionam, onde a conexão seja com TUDO e com TODOS, numa perspectiva fundamentada nos valores de um processo civilizatório como obra da Humanidade.
          E daí, todo e qualquer instrumento que se pretenda reduzir os desequilíbrios no ordenamento das políticas que digam respeito à inclusão do Povo de Terreiro e que se traduzam em igualdade de oportunidades e de tratamento pelo Estado, pela Sociedade, deve se caracterizar como instrumento de reparação civilizatória em busca da equidade em todas as esferas do governo e da sociedade.
          O Estado do Rio Grande do Sul dá um passo significativo no sentido de ressarcir os danos psicológicos, materiais, sociais, políticos, educacionais sofridos pelo Povo de Terreiro, iniciando uma política de reparação, baseada no reconhecimento do espaço do terreiro como lugar de vivência cotidiana de uma visão de mundo em que os sujeitos são indissociados entre si, entre a comunidade, entre a natureza, pois é nessa interconexão que se estabelece a harmonia e a justiça social.
              Sandrali de Campos Bueno- Iyá Sandrali d’Osun